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Olá pessoal, acho que vocês já viram ou já ouviram falar sobre Analisador de Espectro, mas para que realmente serve, como analisar as frequências e o que ele pode oferecer além disso.

Bem, vamos lá. Vou tentar explicar de forma bem prática.

Em sua essência, é a análise das características de um sinal elétrico representado em função da frequência.

Observando os sinais elétricos poderemos encontrar problemas e resolvê-los. O Analisador de Espectro fornece para nós o espectro de frequências exato.

É claro que temos de conhecê-los para que possamos analisar com precisão.

O analisador nos fornece uma visualização dos volumes de cada faixa de frequência de um áudio. Enfim, com ele podemos fazer ajustes minuciosos que, talvez, deixássemos passar caso o ouvido não esteja bem treinado e consiga captar bem as frequências.

Existem diversos analisadores de espectro em plug-ins que poderemos usar tanto na captação do áudio como na mixagem ou na masterização.

Só para vocês entenderem um pouco, vou postar como nosso ouvido capta as frequências…

As frequências são mostradas abaixo, ou seja: 20 – 50 – 100 – 200Hz… 5k – 10k – 20k, e na vertical o nível de pressão sonora, ou seja, o volume.

Como vocês podem perceber, precisamos de um volume maior de graves em relação ao médio agudo e agudo. Isso porque nossos ouvidos são sensíveis a essas frequências. Procure fazer um teste, coloque uma música para tocar e escute com o volume bem baixo, você vai perceber que você vai escutar mais a voz, guitarras, bells se tiver na música, leads, e outros instrumentos que pegue mais a região médio agudo para o agudo; e se você aumentar o volume, você vai escutar os graves.

Outro exemplo: pegue qualquer música coloque em um software que você use para gravação, e abra um plug-in analizer, e perceberá que as frequências graves estarão mais altas do que as agudas, isso é porque escutamos as frequências acima de 500hz primeiro.

Agora que você já sabe como funcionam as frequências, vamos saber como usá-la em nossa mixagem.

É bem simples: abra um analisador de sua preferência (no final deste post irei indicar alguns).

Coloque sempre o analisar no canal master ou se quiser pode colocá-lo em outro computador e mandar a saída do PC que você esteja mixando para o outro onde está o plug-in.

Agora, inicie a mixagem. Antes que eu esqueça, sempre quando vou começar uma mixagem, pego uma música de referência, música boa de engenheiros de áudio que estão há mais de duas décadas no mercado, e que você goste do som. Tem alguns de que gosto: Humberto Gatica, Bill Vorndick, Frank Filipetti, John Alagia, entre outros. Sempre pego uma música parecida com o estilo e do jeito que eu quero deixar. Escuto e a analiso várias vezes, faço anotações e mais anotações e depois, sim, inicio a minha mix.

Sempre começo pelo bumbo. Aí onde entram as frequências, você tem de saber no mínimo quais as frequências fundamentais e harmônicas de cada instrumento, para saber o que você vai mexer. Pois, às vezes, você poder ver aqueles gráficos e pensar: para onde eu vou? Onde mexo? Então, o legal é você pegar bem essa parte das frequências fundamentais e a harmônica de cada instrumento. No caso do bumbo, a frequência fundamental fica perto de 60 Hz e os harmônicos perto de 4 Khz, onde se encontra o “kick” som agudo, como chamamos. Na maioria das vezes, corto perto de 350Hz, pois deixo essa região um pouco livre para o baixo, violão, voz e percussão como bongô, conga e outros.

Não sei se você percebeu mas sempre vou mixando um instrumento pensando em outro, é como se fosse um arquiteto, ele faz o projeto da cozinha pensando na sala, faz o quarto pensando onde vai ser a janela e assim vai.

Eu sempre vou timbrando os instrumentos pensando nos outros, se tiro aqui é porque outro vai entrar, é claro que sem tirar a originalidade do som.

Outra coisa vital é você não ficar escutando um instrumento solo por muito tempo, nossa mente fica cheia de decorar coisas (isso é bom, rsss). Se você ficar escutando um triângulo, por exemplo, solado mais de dois minutos, pegue um violão e o sole, você vai perceber que ta faltando agudo, mas não é que está faltando agudo é porque sua mente está com aquele som estridente guardado. A melhor coisa é mixar por grupos, tipo bumbo e baixo, depois acrescenta caixa e HH, e por aí vai.

O que você tem de fazer é nunca deixar dois instrumentos por muito tempo na mesma frequência e no mesmo volume. Imagine o baixo e o bumbo em 60 Hz, os 2 na mesma altura, você não vai escutar nem um nem outro definido. Se você aumentar um pouco em 62 hz do bumbo, precisa tirar um pouco no baixo e trabalhar outra frequência com ele, por exemplo, 80 hz ou 120 hz.

O analisador de espectro vai ajudar muito nessa etapa, pois você perceberá nitidamente tanto no ouvido como no gráfico quando um instrumento pega a frequência de outro.

Nunca esqueça: o ouvido é a melhor ferramenta que DEUS nos deu. Em sua mixagem, use sua criatividade, pois uma vez o Tomati, guitarrista do Sexteto Jô Soares, foi estudar nos EUA e chegou a um professor muito conceituado que dera aula para Frank Gambale etc. Mostrou um solo que ele criou e perguntou o que era, o professor simplesmente falou que era um monte de coisa e falou que estava lindo. Tomati saiu se perguntando será que ele desconhece a escala que usei ou algo assim… É claro que ele sabia, mas a lição é que, às vezes, fazemos coisas que sem sabermos a lógica pode ficar melhor do que se fizéssemos um monte de cálculos ou coisa do tipo. É, por isso, que, de vez em quando, aparece um monte de gente autodidata que surpreende muita gente estudada, acontece.

Voltaremos a falar sobre frequências e Analisador de Espectro em outros posts, acompanhe e não deixe de comentar. Grande abraço a todos. DEUS nos abençoe.